Friday, January 9, 2009

Dignidade

Sabemos que algumas situações são inevitáveis. A cada dia procuro uma motivação para continuar em frente e atingir meu objetivo, mas confesso, ás vezes é cansativo. Não é falta de amor, nem falta de vontade, é apenas um reforço negativo. Você planta, rega, aduba e mesmo assim você não consegue achar que aquela sementinha está se desenvolvendo. É cedo pra concluir isso? Com certeza, porém é preciso saber que pelo menos algumas batalhas eu estou vencendo, e isso eu não sei.

Ontem eu tive meu primeiro momento do tipo “forget it”. Não estou envergonhada por isso, afinal decidi que eu seria mais sincera com meus sentimentos. Ele já sabe que eu o amo, já ouviu minhas desculpas, já sabe o que eu quero. Se ele não quer voltar, eu não posso obrigá-lo, só posso respeitar o espaço dele e viver minha vida.

Na quarta-feira saí com a Malu. Estávamos sentadas num barzinho e na minha santa maluquice jurei ter visto o carro dele passando. O impulso de ligar bateu. Eu peguei o celular, soltei, peguei, soltei. Perguntei a ela se deveria ligar. Ela disse que sim, depois disse que não, depois disse pra eu fazer o que eu estava com vontade. Liguei. Perguntei se ele tava na rua, ele disse que não, que estava em casa. Conversamos um pouquinho e ele sempre me tratando com carinho, falando comigo como sempre falou. Meu amor pra cá, meu amor pra lá, alguns eu te amo e aquele sentimento de esperança bate forte. Ele diz que vai voltar, espero que eu ainda esteja disposta e totalmente certa de que ainda o quero, porque sejamos honestos, a cada dia que passo longe dele, sou obrigada a me convencer de que é necessário se acostumar e me acostumando com algo assim, talvez eu aceite a idéia de que não preciso mais dele. Ás vezes estamos tão machucados que não temos condição de recomeçar. Talvez seja isso que ele esteja sentindo, talvez seja o que eu vá sentir quando ele sair de cima do muro. Muitas suposições, poucas certezas.

Sinto que já estou bastante machucada. Pelos meus próprios erros, um pouco pelo que aconteceu na praia e essa incerteza diária e totalmente pela situação descabida do “eu-te-amo-mas...”. Quem vai juntar meus cacos? Quem vai ser meu príncipe? Quem vai me amar? Eu amo, mas também quero receber amor. Eu me dôo, mas também vou querer que se doem. Estou cansada das discrepâncias e procurando um equilíbrio. Não posso só dar, só oferecer amor, conforto, segurança, carinho. Sou movida a tudo isso também. Também quero ser conquistada e não vou passar o resto da minha vida agindo como se eu fosse a pior pessoa do mundo. Estou comendo merda agora, eu sei, mas não vou fazer isso eternamente. Já reconheci meus erros, já me dispus a consertar o que não é bom, mas com dignidade. Essa é a bola da vez: AMAR COM DIGNIDADE.

Entendo que esse tempo é valioso pra ambos. É tempo de colocar a cabeça no lugar, refletir, procurar respostas. Eu também estou procurando certezas. A cada mensagem que não chega, telefonema que não acontece, e-mail que não são recebidos eu também tenho minhas respostas. Cansei de fingir acreditar em mentiras, de me cercar de pessoas que não podem doar sinceridade, carinho, respeito e consideração por mim. Já comecei a repescagem das amizades. Só ficarão os que agregam valores, os que respeitam quem eu sou, mesmo que eu seja a pior pessoa do universo. Se até assassinos de crianças indefesas arrumam namoradas dentro da cadeia porque eu que sou buona gente não vou ter alguém que realmente me ame?

Estou meio perdida porque expor minhas fraquezas mexe com a minha auto-estima. É como se eu ficasse nua, como se eu tivesse nascido agora, com 28 anos. E como numa espécie de reaprendizagem, estou me conhecendo de novo e me forçando a sentir coisas que machucam, que incomodam, que doem pra depois poder criar minhas defesas. Sem exageros, nem carcaças. Aos poucos vou encontrar um novo ponto de equilíbrio. O saber sofrer sem me descabelar, o de chorar sem me afogar, o de concluir que é hora de fechar uma porta e seguir em frente. Não serei essa deprimida-emo pra sempre. Esse é o meu momento de ficar triste, de me fechar, de ficar introspectiva. E quem não agüenta minhas lamúrias nem minha falta de empolgação pra alguns assuntos que me respeite e me dê um tempo também. Não vou voltar a ser aquela Juliana que algumas pessoas já conheceram endurecida. Também não serei totalmente diferente do que eu era, afinal não sou um robô que a gente reprograma e aperta o start. Serei alguém que está sendo honesta consigo mesma e vou entender aqueles que não gostarem tanto assim dessa pessoa sem armadura. Vestirei outra mais leve quando essas feridas fecharem.

Ontem fui num lugar que gosto muito com uma amiga que me conhece há quase 22 anos. Um dia falei pra ela de um dilema que estava vivendo por e-mail. Ela que nem conhecia a pessoa envolvida me lembrou de quem eu era, dos meus valores e de quanto eu estava totalmente no wrong way. Depois que li a mensagem fiquei pensando sobre quantos anos convivemos, brigamos, quanto tempo passamos afastadas e percebi que de uma certa forma ela me enxerga através da máscara. É como se ela ainda me visse sem todas minhas marcas e cicatrizes. Alguém que parece saber quem eu realmente sou. Fiquei agradecida por tê-la em minha vida, por saber que ela não me julga e que sabe como puxar minhas orelhas quando faço coisas sem noção. No nosso longo papo falamos sobre a vida, os acontecimentos desde o último encontro, dos assuntos do coração. Depois chegou um amigo nosso que fazia muito tempo que eu não o via e lá ficamos por horas bebendo e contando mentiras, como ele diz. Por fim acabamos chegando em casa tarde e eu estou morrendo de sono, mas de certa forma feliz por saber que algumas pessoas mesmo não tão presentes, nos arrancam gargalhadas, nos relembram coisas boas que passamos, que nos querem em suas vidas pra sempre. Esse sentimento supre uma parte da carência que estou sentindo. A outra ainda vai ficar em aberto por um tempo, até que quem eu quero volte ou até que eu me convença que não há mais o que esperar. Aliás, esperar sim, ficar à disposição não.

Acordei podre, meio de ressaca pra ajudar. Minha cabeça ta martelando e eu estou com um negócio esquisito na minha saúde. Estou pensando: “hoje é sexta” pra tentar me animar, mas admito, estou tão cansada que se eu já não tivesse assumido um compromisso não sairia da minha casa nem com um guindaste. Por outro lado sei que vou acabar me divertindo e arejando a cabeça. Bom, vivendo um dia por vez. A vida não pára. Não posso apertar o pause e esperar o Ri voltar. Também não preciso apertar o foward e atropelar tudo. Estou na minha, vivendo, saindo, conhecendo pessoas especiais, convivendo com as especiais que já estavam no meu caminho antes, trabalhando, fazendo planos...se ele voltar enquanto eu ainda o quiser seremos felizes, se ele não voltar, terei que me conformar e se ele voltar quando eu não quiser mais vou entender que nossa história não era pra dar certo. A questão é que cada dia que passa eu reflito mais sobre minha situação e honestamente, não gosto da posição que estou, porém, enquanto eu ainda não tenho todas as respostas que preciso, me manterei fora da zona de conforto, até que eu encontre o caminho certo ou uma mão estendida disposta a fazer por mim tudo que eu sempre estive disposta a doar...eu ainda não desisti do grande amor e vou esperar ele acontecer, nem que eu tenha 100 anos, enquanto isso, aproveitarei as oportunidades da vida...

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