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Tuesday, January 27, 2009

Hold me in your arms

No meio da escuridão e do silêncio, um telefone toca. Pouco empolgada, atendo lutando contra as forças que insistem em me deixar pra baixo. Um convite pouco atraente surge. Aceito mesmo achando que no final das contas algo não vai dar certo, mas para minha surpresa, dessa vez deu.

Tomo um banho e me arrumo. Entro numa calça que não me servia mais e agradeço por não tê-la jogado fora tempos atrás. Combino meu sapatinho vermelho com uma tiara da mesma cor. Passo um gloss, pego uma blusa, roubo um cigarro do meu irmão e me planto no portão de casa até que escuto o ronco do escapamento. Por algum motivo eu estava feliz e felicidade não se questiona. Lá fomos nós para uma série de “coisas chatas” a se fazer, mas que foi recheada de risadas, carinhos e uma consideração mútua e silenciosa. Um temporal nos pegou na metade do caminho e ficamos um bom tempo dentro do carro brincando de desenhar nos vidros embaçados enquanto eu tentava arrancar o porquê daquela ligação melancólica na madrugada de sábado. Consegui compreender parte do sentimento que me é exposto, a outra parte eu não quis entender, me apegando ao verso de Clarice Lispector postado logo abaixo. Ficamos ali ouvindo Bon Jovi, falando de coisas sem sentido enquanto o mundo desabava do lado de fora. Quando a chuva diminuiu descemos do carro e enquanto eu ajeitava minha roupa e colocava a bolsa no ombro tentando não ser pega por nenhuma goteira amalucada, uma mão puxou a minha e fui arrastada pra dentro do prédio. Fomos passando de uma sala pra outra enquanto a papelada era procurada, carimbada, datada, assinada e todos procedimentos burocráticos possíveis e imagináveis eram executados. Durante todos esses momentos um abraço carinhoso e acolhedor me protegeu de todos meus medos e me fez esquecer de como tenho sobrevivido de migalhas sentimentais. Enquanto funcionários procuravam documentos eu fiquei ali envolvida num colo sincero, carinhoso e real, pensando que algo tão relativamente simples parecia estar me fazendo melhor que os remédios que ando tomando. Fui apresentada a amigos que não olharam pra mim com certa “pena” e aos poucos eu parecia encontrar em algum lugar dentro de mim a força que sempre tive. Saí de lá embriagada de bons sentimentos, ainda envolvida nos braços de quem me devolveu parte do meu brilho em silêncio, me mostrando como sou especial apenas por arrancar risadas bobas ou por falar num dialeto inventado pela minha família maluca ou simplesmente por existir. Me senti bem por também deixar alguém bem, por devolver com sinceridade o sentimento de carinho, por ser acolhida por toda família com consideração que poucas pessoas me dispensaram ao longo da vida.

Fazia algumas noites que eu não dormia tão bem, e melhor, acordava bem. Hoje acordei feliz. O último cigarro que fumei foi ontem enquanto esperava na porta de casa e conferia o quanto minha barriga diminuiu no reflexo do vidro do meu carro que durou metade de um dia limpinho até que fosse encardido pela chuva de domingo. Pensei no aniversário da minha mãe, do cachorrinho de mesa que ganhei semana passada, do “kit sai dessa” que minha tia me fez, da Calopsita me fazendo lanches mirabolantes, da gargalhada que arranquei da Malu em meio às lágrimas dela, do meu tio repetindo “la pergunta”, do show do Orishas, da companhia dos amigos no final de semana, do meu trabalho pelo qual vinha me esquecendo de como sou apaixonada. Percebi que algumas dores e sofrimentos não fazem sentido. Tive certeza que não quero e não vou viver de migalhas e restos. Ponto.

Obrigada por ter feito não só a minha noite um momento especial, mas por ter me lembrado de quem eu sou usando apenas o seu abraço e o seu carinho.

1 comment:

♥ said...

Enfim parece que você acordou!

Lindaaa!