Sete horas da manhã. Sexta-feira. Não tem vaga na porta dessa empresa, como sempre. Estaciono numa vaga que não cabia nem uma moto e duas mil manobras depois, estou entrando. “Bom dia Seu José, tudo bem com o senhor?”. “Tudo. Ó, isso aqui é pra você!”. Um vaso lindo de rosas colombianas vermelhas. Nem bem tirei o arranjo das mãos dele e meti a mão na cartinha que tava enfiada no meio das flores. Quem foi o sujeito que resolveu me mandar flores hoje? Dentre as possibilidades, o inesperado. Uma cartinha de duas folhas. Hoje é dia 14. Eu não me lembrava.
Fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Receber flores é demais, especialmente quando a gente não espera. Saber que alguém teve o trabalho de ir a uma floricultura, escolher um arranjo bem bonito, escrever um cartão, ter o cuidado de se preocupar onde entregar a encomenda é algo que nos faz sentir querido. Por outro lado, apesar do conteúdo da carta ser alegre, tinha uma tristeza entre as linhas. Uma espécie de despedida estava no ar. Eu entendo e apóio, mas mais uma vez eu lamentei termos fracassado.
Essa semana sentada na escada da facu com o Pow comentei que ás vezes sentia falta dele.
Fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Receber flores é demais, especialmente quando a gente não espera. Saber que alguém teve o trabalho de ir a uma floricultura, escolher um arranjo bem bonito, escrever um cartão, ter o cuidado de se preocupar onde entregar a encomenda é algo que nos faz sentir querido. Por outro lado, apesar do conteúdo da carta ser alegre, tinha uma tristeza entre as linhas. Uma espécie de despedida estava no ar. Eu entendo e apóio, mas mais uma vez eu lamentei termos fracassado.
Essa semana sentada na escada da facu com o Pow comentei que ás vezes sentia falta dele.
No dia 14/02/07, no Valentine's Day, aquele grandão com o coração maior que ele sussurrou no meu ouvido: “namora comigo?”. Faltava dois dias pra eu embarcar pra Salvador em pleno Carnaval. Ele me levou no aeroporto com meu carro e enquanto eu meditava no avião, ele chorava sentado na Fi, onde dizia que o cheiro do meu perfume tava impregnado no cinto de segurança. Passei 8 dias lá. Em meio à multidão, às pessoas em transe, aquela histeria coletiva e aquele pega-pega, Salvador parecia mudo e surdo. Minha cabeça tava em SP. Não via a hora de voltar, de encontrar com ele no aeroporto, de dar um mega-abraço. A gente se falava todos os dias, trocava mensagem o dia todo. Minha amiga ainda se arrumou com um australiano que conhecemos no bloco do Fatboy Slim. Eu fiquei de boa. Era como se ele estivesse lá comigo. Quando cheguei no aeroporto de volta, saí no portão de desembarque olhando pra todos os lados. Não o vi. Foi a primeira decepção. Fiquei sentada em cima da minha mala por quase meia hora até que o vi descendo as escadas. Já tinha passado o momento. Já não era mais o mesmo abraço, não tinha a mesma graça.
Claro que isso não foi o suficiente pra mudar o que eu sentia por ele. Vivemos muitas coisas legais, mas muito momentos difíceis. Teve briga, bate porta, cada um dormindo na sua casa, aniversários de namoro frustrados, viagens horríveis. Mas teve carinho, companheirismo, teve um sentimento muito forte do tipo “me preocupo com você”. No dia que fiquei presa no alagamento da Av. dos Estados se ele pudesse teria fretado um helicóptero pra ir me resgatar. Me ligava o tempo todo, queria saber se tava tudo bem, se eu tava com fome, com frio, se o carro tinha condições de voltar rodando...ao menor sinal de uma dor de barriga já estava ele prestes a me levar pro hospital...e assim fui mimada por ele por quase 2 anos.
Apesar de não ter dado certo, apesar das nossas diferenças e das minhas exigências, eu quero que você saiba Ri, que você foi, é e sempre será uma pessoa especial. Alguém de quem vou me lembrar das bobeiras, das caretas, do seu tênis gigante no meio do meu quarto atrapalhando e me deixando possuída pelo demo quando eu tropeçava nele. Apesar de tudo, apesar dos nossos desencontros, das nossas histórias de vida serem tão diferentes, eu tenho um carinho muito grande por você e essa sua atitude de hoje me mostrou o que eu mais quis ver em você durante esse tempo: atitude. Atitude por ter me comprado um arranjo tão bonito, por ter escrito uma carta tão especial, por ter me dito que esse era o ponto final pra você. Todo mundo desiste em algum momento. Fico feliz que você tenha tido sabedoria pra desistir da gente de uma maneira tão serena e madura.
Obrigada por ter me feito sentir a mulher mais importante do mundo. Desculpe por não ter conseguido fazer o mesmo por você. Aliás, me desculpe por ter sido a elefanta-mor na sua vida. Eu gostaria de poder fazer tudo ser diferente...
Um grande beijo.
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