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Tuesday, November 11, 2008

Me leve de volta à minha infância!

Aaaahhhh que saudades da minha infância!!

Quando eu era criança eu chorava e ninguém me achava uma banana. Se eu tinha medo, corria pras pernas do meu pai e ali ficava até passar. Se minha mãe não me deixava brincar eu pulava o portão e saía escondida pra casa da vizinha. Bom seria se eu pudesse chorar, sentir medo ou pular portões hoje em dia!

Apesar de várias coisas tive uma infância feliz. Me lembro de coisas que talvez passassem despercebidas se não tivessem sido feitas por pessoas especiais. Minha tia sempre foi a tiazona paciente, que adorava crianças e tratava a mim e meu primo como se fôssemos bibelôs. Nós dormíamos na casa dela - que na época era solteira - em colchões no chão, os três de conchinha e no dia seguinte sempre tinha uma surpresa. Ou íamos pro Playcenter ou pro Duque que hoje é o Celso Daniel e na época ela morava pertinho, íamos andando e farreando. Sempre tinha um programa. Foi ela que me levou no Mc Donalds pela primeira vez, quando eu cumpri a promessa de parar de chupar chupeta, aos 8 anos (!!!). E eu me lembro desse dia como se fosse hoje. Ela me levou no Mc da Praça Ramos, comemos no andar de cima e depois fomos no Mappin que era ao lado e ela comprou um monte de anelzinho pra mim. A gente vinha no trem conversando, eu dormia no colo dela e ela, como sempre, toda paciente. Minha tia foi e é muito importante na minha vida até hoje. É pra ela que eu corro quando me dá qualquer dor de barriga. Eu espero que ela saiba que eu a amo tanto quanto ela me ama, apesar de ultimamente eu estar meio sumida.

Outra pessoa especial que eu tive na minha vida foi um vizinho meu, o Cido. Eu vivia brincando na casa deles quando era criança. Lógico que depois de fazer 200 folhas de lições antes e convencer minha mãe que eu não voltaria depois das 20h. Os filhos dele tinham mais ou menos minha idade: uma dois anos mais velho, um da minha idade e outra dois anos mais nova. A gente podia brincar de tudo que a mãe deles não pesava, então só faltava a gente derrubar a casa. E ele que tinha um bom emprego e ficava o dia todo fora, voltava pra casa todos os dias com 4 chocolates. Um pra cada filho dele e um pra mim. Talvez ele não saiba o quanto essas coisas ainda me deixam EMOcionadas, porque quase não temos mais contato, mas ainda assim, até hoje, eu sou muito grata por ele ter me tratado com o mesmo amor que ele tratava os filhos dele. Tenho guardado uma boneca com as roupas de Portugal que ele comprou pra mim no Shopping Eldorado em mil novecentos e oitenta e pouco. Como sempre, comprou uma pra Carol, outra pra Joyce e uma pra mim. Eu adorava brincar lá, a gente vivia brigando, mas todos os dias tinha uma coisa nova. Sem contar que o Henrique foi meu primeiro amor infantil, daqueles que pegava na mão escondido enquanto assistia Indiana Jones no vídeo cassete e quando o filme acabava a gente fingia que nada tinha acontecido e ia jogar video game. Um Master System, naturalmente...

A gente cresce tão rápido. Tentei fazer pelos filhos da minha tia o que ela fez por mim e pelo Rafa, mas sei que não foi nem metade. Eu infelizmente não tenho o mesmo dom com crianças que ela, embora hoje os dois estejam já maiores que eu. O Cido ainda o vejo ás vezes segurando os netos pelas mãos. Tanta coisa mudou na vida dele desde aquela época...A Carol casou, tem dois filhos, a Joyce ainda tá na faculdade e segundo a mãe dela, não pretende ser mãe...e o Henrique, que engraçado, ás vezes eu ainda o vejo como se tivéssemos 8 anos. Outro dia, quer dizer, já faz uns 3 anos, estávamos à toa e ficamos num domingo conversando sentados na calçada sobre como nossas vidas tão perto ficaram tão longe...ás vezes chego de madrugada e ele também tá chegando. A gente se olha, se cumprimenta e eu sei que quando ele vira as costas ele está pensando o mesmo que eu. Não tem nada a ver com paixão, muito menos amor, é um sentimento de que aquela pessoa nos leva de volta à nossa infância, quando nossa única preocupação era se ainda dava tempo de brincar de mais alguma coisa até que minha mãe aparecesse no portão com o chinelo na mão, furiosa porque já era tarde e eu ainda estava incomodando os vizinhos...

Bons tempos que passaram rápido demais. A gente tem só alguns anos pra ser criança, poucos pra ser adolescente e a vida toda pra ser adulto...só nos resta aceitar o lado bom que ser "gente grande" nos trás.

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