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Friday, December 12, 2008

Desabafo!

O sentimento de solidão, de tristeza, de fim parece que chegou. Eu já esperava por ele, não vou ser hipócrita, mas confesso que esse incômodo, essas agulhadas de saudade, de frustração, de fracasso que nos pegam durante o dia doem pra chuchu.

Eu não consigo mais acreditar nos sentimentos, nas pessoas. E isso não é de hoje. Talvez esse tenha sido um veneno nos meus últimos relacionamentos. O maior paradigma está em eu ainda ter o sonho de encontrar alguém especial, me casar com essa pessoa e ser feliz pra sempre, mas conforme o tempo vai passando, essa idéia parece ficar mais e mais longe e eu pareço já me conformar. Talvez meu luto seja por eu enterrar esse meu sonho de ter alguém pra sempre, de aceitar que não existe o “amor perfeito”, de chegar a conclusão que eu sou a minha própria alma gêmea.

Não dá pra negar que com o tempo a gente vai ficando mais exigente. Eu tenho várias exigências e algumas eu admito, são malucas. Por outro lado, também sei que questões de princípio e caráter a gente não consegue mudar. Nem o meu, nem o da pessoa. Então se não bate, dificilmente vai ser possível levar adiante. Tudo num relacionamento tem um peso e uma medida. A gente se interessa primeiro pelo que agrada aos olhos. Analisa se a pessoa tem os requisitos mínimos pra ser candidato a namorado. No meu caso, o cara tem que ser alto. Pode ser feio, gordinho, mas não pode ser careca. Se disser “pra mim fazer” cai uns 50 pontos na escala. Preciso pesar também se a pessoa não acabou de sair da caverna porque o mínimo de demonstração de afeto, ciúmes, saudades e carinho é fundamental pra mim. Além disso, eu preciso me certificar que ele não tem uma ex-namorada/ noiva/ mulher neurótica. Se tiver, levanto e vou embora porque pra mim é muito sacrifício carregar o kit ex.

Depois vem a segunda fase que é: o cara estuda ou estudou? Tem uma profissão? É ambicioso? Se sim já passou dessa etapa também. Aí vem outros requisitos secundários: a família do cara é legal? Ele pensa no futuro ou faz o que lhe dá na telha o tempo todo? Tem filhos ou pretende ter? Ele é o tipo que manda flores no seu aniversário ou no dia seguinte pra se desculpar por ter esquecido a data? Aí você começa a fazer um balanço, levando em consideração o que você sente por ele independente de tudo isso e acredite, ás vezes esse sentimento emudece todas as outras coisas.

Em paralelo a isso o cara também ta te analisando e vendo se você preenche os requisitos dele. Se você é bonita o suficiente pra exibi-la pros amigos, se você é gostosa o suficiente pra ele suportar te ver de biquíni, se você fala muito ou é muito melosa, se você divide a conta ou ainda acha que eles precisam ser cavalheiros o tempo todo, se você é “boa de cama” entre outras coisas. A gente também passar por um certo crivo, faz parte. A verdade é que eu já ouvi tantas vezes “você é a mulher da minha vida!”, mas todo mundo ta vivendo sem mim...

Hoje cheguei arrebentada. Vim pensando no caminho pra empresa em tudo que eu pude. Pensei sobre minhas escolhas, meus amores, minha dedicação e meus tombos. No fundo eu não via a hora de chegar e me enfiar nas minhas tarefas pra esquecer que tem coisas que ainda machucam, mas quando chego aqui tenho a outra parte do sofrimento que é olhar pra alguém que eu simplesmente não consigo explicar o que eu sinto. E esse alguém tem deixado a confusão ainda maior na minha cabeça. Eu odeio fim de ano e tudo isso acontecendo de uma vez ta me pirando. O que me conforta é que eu não tenho tendência depressiva e logo mais vou acordar com o foda-se ligado e bora em frente.

Baixei algumas músicas pra me distrair, mas não consigo parar de ouvir a mesma que ouvi ontem no carro e cantei feliz. Coloquei no repeat e vou ouvir até vomitar (se Bon Jovi viesse pro Brasil eu seria a primeira da fila!). Quando eu enjoar de sentir essa angústia já tenho outra trilha sonora no gatilho que é Rappa ao vivo. Daí sei que vou salvar meu final de semana, ou pelo menos minha sexta-feira chuvosa. Falando nisso, to ouvindo um tumulto...Tumulto! Corra que o tumulto está formado!

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