Nenhum aspecto da mente humana é fácil de investigar, e,
para quem deseja compreender os alicerces biológicos da mente,
a consciência é unanimemente considerada o problema supremo,
ainda que a definição desse problema possa variar notavelmente
entre os estudiosos. Se elucidar a mente é a última fronteira das
ciências da vida, a consciência muitas vezes se afigura como o
mistério final na elucidação da mente. Há quem o considere
insolúvel.
Entretanto, é difícil conceber um desafio mais sedutor para
a reflexão e a investigação. A questão da mente em geral e da
consciência em particular permite aos humanos dar vazão ao
desejo de compreender e ao apetite por admirar-se com sua própria natureza, que segundo Aristóteles é o que distingue os
seres humanos. O que poderia ser mais difícil de conhecer do
que conhecer o modo como conhecemos? O que poderia ser
mais deslumbrante do que perceber que é o fato de termos
consciência que torna possíveis e mesmo inevitáveis nossas
questões sobre a consciência?
Embora eu não veja a consciência como o ápice da
evolução biológica, penso que é um momento decisivo na longa
história da vida. Mesmo quando recorremos à simples e clássica
definição de consciência encontrada nos dicionários — que a
apresenta como a percepção que um organismo tem de si mesmo
e do que o cerca —, é fácil imaginar como a consciência
provavelmente abriu caminho, na evolução humana, para um
novo gênero de criações, impossível sem ela: consciência
moral,* religião, organização social e política, artes, ciências e
tecnologia. De um modo ainda mais imperioso, talvez a
consciência seja a função biológica crítica que nos permite saber
que estamos sentindo tristeza ou alegria, sofrimento ou prazer,
vergonha ou orgulho, pesar por um amor que se foi ou por uma
vida que se perdeu. O páthos, individualmente vivenciado ou
observado, é um subproduto da consciência, tanto quanto o
desejo. Jamais teríamos conhecimento de nenhum desses
estados pessoais sem a consciência. Não culpe Eva por
conhecer; culpe a consciência, e agradeça a ela.
(página 14-17, Antônio Damásio)
para quem deseja compreender os alicerces biológicos da mente,
a consciência é unanimemente considerada o problema supremo,
ainda que a definição desse problema possa variar notavelmente
entre os estudiosos. Se elucidar a mente é a última fronteira das
ciências da vida, a consciência muitas vezes se afigura como o
mistério final na elucidação da mente. Há quem o considere
insolúvel.
Entretanto, é difícil conceber um desafio mais sedutor para
a reflexão e a investigação. A questão da mente em geral e da
consciência em particular permite aos humanos dar vazão ao
desejo de compreender e ao apetite por admirar-se com sua própria natureza, que segundo Aristóteles é o que distingue os
seres humanos. O que poderia ser mais difícil de conhecer do
que conhecer o modo como conhecemos? O que poderia ser
mais deslumbrante do que perceber que é o fato de termos
consciência que torna possíveis e mesmo inevitáveis nossas
questões sobre a consciência?
Embora eu não veja a consciência como o ápice da
evolução biológica, penso que é um momento decisivo na longa
história da vida. Mesmo quando recorremos à simples e clássica
definição de consciência encontrada nos dicionários — que a
apresenta como a percepção que um organismo tem de si mesmo
e do que o cerca —, é fácil imaginar como a consciência
provavelmente abriu caminho, na evolução humana, para um
novo gênero de criações, impossível sem ela: consciência
moral,* religião, organização social e política, artes, ciências e
tecnologia. De um modo ainda mais imperioso, talvez a
consciência seja a função biológica crítica que nos permite saber
que estamos sentindo tristeza ou alegria, sofrimento ou prazer,
vergonha ou orgulho, pesar por um amor que se foi ou por uma
vida que se perdeu. O páthos, individualmente vivenciado ou
observado, é um subproduto da consciência, tanto quanto o
desejo. Jamais teríamos conhecimento de nenhum desses
estados pessoais sem a consciência. Não culpe Eva por
conhecer; culpe a consciência, e agradeça a ela.
(página 14-17, Antônio Damásio)
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